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domingo, 8 de abril de 2012

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 Os perigos da contaminação de óleo lubrificantes e exemplo de empresa com sistema avançado de manuseio do produto

A manipulação inadequada de óleo lubrificante pode trazer sérias conseqüências ao meio ambiente e à saúde das pessoas.

 
Tal gravidade do problema que o Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente em 31 de agosto de 1993 publicou a resolução número 09, em conjunto com as portarias 125 e 127, que estabelece formas corretas de destinação do óleo lubrificante usado de veículos de maneira responsável, determinando alguns procedimentos.

O tema é levado a sério pelo Grupo Leblon Transporte de Passageiros que possui em sua garagem, na cidade de Fazenda Rio Grande, no Paraná, um sistema que contempla cuidados, além dos exigidos pelas legislações, desde o recebimento do óleo lubrificante novo até a destinação correta do produto já usado.

Quando se fala em contaminação do solo, da água ou mesmo diretamente do ser humano a primeira imagem que vem à cabeça é do descarte inadequado ou vazamento do óleo.

Mas o perigo já reside nas embalagens do produto, que por melhor que sejam esvaziadas sempre vão ter algum resíduo que pode ocasionar contaminação.
Por este motivo, a Leblon e a Viação Nobel compram o óleo a granel. A garagem possui um tanque que recebe o óleo novo do caminhão de entrega, sem nenhum contato com o meio ambiente.

E este óleo, para ser colocado nos ônibus continua sem o contato com o ambiente e com as pessoas que trabalham com o produto. Ele é bombeado e levado por mangueiras até os veículos.  Essas mangueiras vão até as valetas de manutenção dos ônibus. A área é toda cimentada e ladrilhada. Isso isola completamente o setor do solo natural.

Já o descarte do óleo usado (o termo queimado é popular, mas não é correto) também incorpora tecnologia e segurança. Na própria vala de manutenção, há um dispositivo que recebe este óleo do ônibus. O produto é bombeado até um local específico de armazenamento que fica isolado.

Novamente, não há contato com os profissionais. “O sistema traz um avanço importante. A maior parte das garagens possui lugares para o armazenamento desse óleo, mas ainda ele é levado manualmente até lá. Por mais que o profissional tenha cuidado, pode haver o risco de o óleo cair no chão” – explicou Daniele Franco Bariviera, gestora de qualidade do Grupo Leblon. Este óleo usado é coletado por uma empresa autorizada e é encaminhado para o novo refino.

É importante destacar que o óleo novo já apresenta perigo, mas o usado traz mais riscos ainda, pois ele passou por um processo de deterioração e contaminação com partes metálicas, poeiras e outros agentes. Para se ter uma idéia dos riscos, um litro de óleo lubrificante pode contaminar um milhão de litros de água e inutilizar o solo.

O Conama alerta para as substâncias presentes nos óleos e os problemas que ocasionam à saúde, que podem ser desde um mal estar até câncer e má formação do feto. Confira alguns exemplos:

Chumbo: dores abdominais, danos no sistema nervoso, câncer nos rins e sistema linfático e acumula nos ossos.

Cádmio: dores musculares, danos no fígado e nos rins, irritabilidade, debilitação dos ossos e câncer nos pulmões e traquéia.

Arsênio: alteração na pressão sanguinea, nefrite crônica, cirrose hepática, câncer na pele, pulmões e fígado.

Cromo Hexavalente, CrVl: É diferente do cromo trivalente (CrIII) essencial na potencialização da insulina. Pode causar no organismo dor abdominal, dermatite, crescimento do fígado e câncer nos pulmões, fígado e pele.

Dioxinas: câncer no sistema respiratório, dor e fraqueza nos músculos, problemas de pressão e distúrbios cardíacos. As dioxinas se apresentam de diversas formas na natureza.

Hidrocarbonetos Policíclicos (Polinucleares) Aromáticos: são cancerígenos, afetam os pulmões, o sistema reprodutor e podem causar deformações em feto – teratogênico.

Por isso, ações corretas no manuseio e destinação do óleo lubrificante é acima de tudo um ato de respeito à vida.

Fonte: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.
Foto: Adamo Bazani

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