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domingo, 20 de setembro de 2015

Coach: O ônibus "gostosão"

Na década de 1950, o transporte coletivo de Fortaleza era realizado de forma precária, com poucas linhas que ligavam o Centro da capital aos bairros ou distritos da capital. O transporte era feito por veículos que não passavam de caminhões movidos a gasolina com carroceria construida de forma artesanal, geralmente em madeira.


Entre as discussões políticas sobre a solução do transporte coletivo, surgiam ideias sobre um maior conforto a ofertar aos usuários, atentando também para as tarifas diferenciadas para tal serviço. A solução encontrada naquele momento foi encontrada no exterior, onde se fabricavam ônibus modernos, com grande capacidade de passageiros e que eram movidos a óleo Diesel.

Com design elegante, o ônibus conhecido como "Coach" (pronuncia-se "Coat") era fabricado por diversas marcas nos Estados Unidos, onde circulavam em cidades como, por exemplo, Nova York, Boston, San Francisco e Los Angeles. Várias unidades foram importadas para o Brasil no final da década de 1940 e passaram a ser utilizadas nas principais capitais.


Em terras tupiniquins, o Coach ficou mais conhecido por "Gostosão", forma jocosa de ressaltar grande conforto e a simpatia que causava aos seus passageiros. O gostosão era tratado como objeto de status, como eram vistos os bondes no início do século XX.


O primeiro contato que os cidadãos fortalezenses tiveram com um "gostosão" foi no ano de 1952, quando foi apresentado um ônibus trazido de Recife, equipado com mecânica francesa Berliet Diesel e carroceria nacional de 10 metros de comprimento, que foi construida em aço pela Brasinca S.A, com capacidade de 41 pessoas sentadas.

O ônibus foi exibido em um desfile na Praia de Iracema, com presença de várias autoridades, inclusive com o Prefeito Paulo Cabral de Araújo.


Aquela seria apenas a primeira impressão, mas pouco mais de três anos depois, os primeiros gostosões estariam em circulação na cidade.

A empresa que resolveu investir nos luxuosos ônibus Coach, foi a Empresa São Jorge, que desde o ano de 1947, buscava ofertar um serviço diferenciado aos seus usuários, com ônibus novos e de alto padrão, equipados com carrocerias construidas em aço sobre chassis Dodge.


A empresa também investia em um bom atendimento, o que era observado pela elegância dos motoristas, mais conhecidos por chauffeur, que usavam impecáveis uniformes e os quepes e gravata também eram obrigatórios.

A empresa do Sr. José Kalil Otoch anunciou em Janeiro de 1955 a aquisição de oito chassis para ônibus enquanto se discutia as questões de retorno financeiro, que era complicado naquela época, devido às precárias condições das vias. Uma solução encontrada foi a ampliação da já existente linha da Aldeota, que ligava aquele bairro ao Centro.

A nova linha seria operada pelos gostosões, que iriam até o bairro São Gerardo, com uma tarifa um pouco mais elevada, enquanto os usuários que desejavam ir até o Centro tinham a opção dos ônibus comuns, com o preço já adotado até então.

Em Novembro daquele ano, os novos ônibus da Empresa São Jorge finalmente chegaram a Fortaleza, e foram recebido com festa, mas, por causa de diversas divergências sobre a concessão da linha e sobre a tarifa, os novos ônibus começaram as atividades apenas em 1956, na linha Aldeota - São Gerardo. Eram ônibus com carroceria Grassi e chassi Dodge.


Em 1958, uma nova remessa de ônibus "gostosões" vieram para a frota da Empresa São Jorge, desta vez com chassi Mercedes-Benz e carroceria Caio Fita Azul. Também operaram na linha da Aldeota.


Pouco a pouco, o termo "gostosão" foi desaparecendo, por causa das modificações das carrocerias feita pelos pequenos e grandes fabricantes, mas diversas características de conforto e capacidade foram mantidas, deixando para trás o capítulo dos ônibus artesanais.
 
Monobloco Mercedes-Benz O-321: Modernidade desde 1958

Fonte: MOB Ceará
Pesquisa: Centro de Documentação e Pesquisa/Livro Quebra-Quebra, Lock Out (Patrícia Menezes)

Um comentário:

fme disse...

Apenas um adendo, na época do Caio Fita Azul, ainda não existia a Caio Norte, portanto esse modelo foi fabricado pela Caio de São Paulo.

Fco. Souza

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