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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CTC 50 anos: O curto período dos elétricos

O MOB Ceará inaugura uma série de duas matérias comemorativas aos 50 anos de fundação de uma das mais marcantes empresas do sistema de transporte de Fortaleza: A Companhia de Transportes Coletivos (CTC). Com história cheia de altos e baixos, a CTC se destacou por trazer diversas inovações para o passageiro, e a primeira delas, você leitor vai poder conferir nesta matéria.

Confira, nesta edição, a trajetória dos elétricos de Fortaleza.


4 anos: Este foi o período em que foi disponibilizado aos usuários do transporte coletivo de Fortaleza, uma opção inovadora de condução, movida através da eletricidade da rede aérea. O ônibus elétrico, ou trólebus, era ambicionado pela Prefeitura de Fortaleza, graças aos bons resultados obtidos pelo sistema em Recife.

A gestão do Prefeito Murilo Borges Moreira decidiu trazer a tecnologia para a capital cearense, e assim transformar Fortaleza na segunda cidade no Norte Nordeste a possuir um sistema de ônibus elétricos.
Como a decisão de trazer o trólebus para Fortaleza já estava tomada, houve a necessidade de criar companhia para se responsabilizar pelas operações do novo sistema.
Assim, no dia 30 de Setembro de 1964, a Companhia de Transporte Coletivo foi criada através de lei municipal.

Em Setembro de 1966, a CTC foi instalada, em solenidade que contou com diversas autoridades. Na data, a garagem na Avenida Jovita Feitosa foi inaugurada, onde abrigava a parte administrativa e manutenção.

Até o início das operações dos trólebus, em 1967, houve todo o processo de organização da CTC, com a compra do terreno na Avenida Jovita Feitosa e posterior construção da garagem. O período 1964-1967 também foi marcado por discussões sobre o futuro do sistema, licitações de compra dos equipamentos, e muita burocracia.
O sistema previa a construção de seis "radiais", que ligavam o Centro aos bairros Parangaba, Antônio Bezerra, Barra do Ceará, Mucuripe, Aldeota e Aerolândia, porém, durante as operações dos ônibus, apenas as duas primeiras linhas foram concretizadas.


Os três primeiros trólebus, da marca paulista Massari, desembarcaram em Fortaleza em Janeiro de 1966, prontos para rodar, necessitando apenas da implantação da rede de eletricidade, que seria importada da Suíça.

Eles ficaram expostos por alguns dias "à curiosidade pública" na Praça da Sé, no Centro de Fortaleza e, quando em operação, deveriam seguir o itinerário da linha de Parangaba, descrito pelo Jornal O Povo em Novembro de 1965: "Sairão da Praça do Carmo, onde será instalada a estação, percorrendo a Duque de Caxias, Tristão Gonçalves, Carapinima, 13 de Maio, Visconde do Cauipe e avenida João Pessoa. De volta, percorrerão a avenida João Pessoa, Visconde do Cauipe, General Sampaio e Duque de Caxias, até a Praça do Carmo." Cabe frisar que atualmente a citada Rua Visconde do Cauipe é chamada Avenida da Universidade.

Apenas no ano de 1967, os ônibus elétricos de Fortaleza foram inaugurados. O grande atraso da inauguração foi causado principalmente por causa de alguns equipamentos das subestações, que eram trazidas de navio. A operação da nova tecnologia era cuidadosa, tanto que a CTC selecionava motoristas que atestavam que não possuiam nenhum vício, talvez por acreditar que os mesmos teriam mais responsabilidade na condução dos veículos.
 
Os elétricos tinham cores próximas ao laranja e creme

Segundo os jornais da época, sete ônibus Massari foram testados e aprovados na linha Parangaba - Centro em Janeiro de 1967. Era informado também que os referidos ônibus possuíam capacidade para 113 passageiros e carroceria de 12 metros de comprimento.

A inauguração oficial dos ônibus elétricos de Fortaleza ocorreu em Fevereiro de 1967, na Praça do Carmo e contou com autoridades civis, militares e eclesiásticas. O prefeito Murilo Borges viajou em um dos ônibus em direção à Parangaba.


Apesar do grande sucesso na inauguração e da aprovação da população, poucos meses depois já se especulava a possível venda dos elétricos para Recife, e a em 1968, a prefeitura começou a manifestar oficialmente seu interesse na venda dos trólebus. As razões para o fim das atividades dos ônibus estavam no alto custo de manutenção e na baixa rentabilidade, já que os veículos só dispunham na época de apenas duas linhas e que tinham ponto final na Praça do Carmo, e a maior parte da população preferia descer na Praça José de Alencar.


Diversas tentativas foram feitas para salvar os ônibus, como a circulação da linha na Praça José de Alencar, e a união das linhas da Parangaba e São Gerardo, mas os prejuízos continuavam ocorrendo. Foi cogitado até a conversão do propulsor para Diesel, mas não saiu dos planos.

Os ônibus elétricos resistiram até 1971, em condições um tanto precárias por causa da fragilidade do sistema de manutenção do equipamento, realizado pela CTC. Ficou decidido então, que eles seriam vendidos e substituídos por novos ônibus diesel, o que ocorreu em 1972.


Os trólebus foram enviados para a CMTC de São Paulo, sendo que os cinco primeiros, viajaram em 1971 e os outros quatro, em 1972, fechando o ciclo de um dos mais emblemáticos períodos do transporte coletivo de Fortaleza.


Após adquiridos pela CMTC, os trólebus iniciaram suas atividades em São Paulo e por lá permaneceram em operações até meados da década de 1980. Alguns relatos indicam que eles foram desmanchados pouco tempo depois do encerramento das atividades.


Fonte: MOB Ceará

2 comentários:

Anônimo disse...

reliquias assim deveriam ser mais respeitadas e conservadas para a posteridade

Marinaldo P. D. Junior disse...

Ótima matéria! Infelizmente os trólebus não tiveram sucesso em muitas capitais, mas pelo menos os de Fortaleza foram repassados a quem se interessou por eles. No RJ foram convertidos a diesel, numa desastrada opção que acabou levando tudo para os ferros-velhos...

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