MOB conhece novos automáticos da Viação Princesa Saiba quantos ônibus a gigante Gontijo possui MS Turismo renova frota com Caio Solar 2013 Viação Penha se mantém com a 4ª frota mais nova João Pessoa-PB renovando a frota com Torino São Benedito oferece visita ao MOB Ceará

segunda-feira, 2 de julho de 2012

20 anos desde o primeiro terminal

No inicio, 1991, quando o Sistema Integrado de Transporte de Fortaleza (SITFOR) foi pensado, cogitou-se na possibilidade da criação de espaços públicos, onde determinado número de linhas de coletivos deveriam convergir e interagir, formando um ambiente de passagem e troca de condução por parte de quem fosse transportado por esses coletivos.


A idéia inicial era a formação de lugares onde ônibus deixavam os passageiros para que estes pudessem continuar suas viagens sem ter que pagar outra passagem pegando outro ônibus, constituindo uma rede de transportes facilitadora do deslocamento pela cidade. Estes espaços inicialmente planejados receberam a denominação de Terminais de Integração de Coletivos, e foram distribuídos em locais específicos da cidade para atender à demanda de toda a população de Fortaleza.


Em 01 de Julho de 1992, o atual sistema de transporte entrou em operação com a inauguração dos terminais de integração de Antônio Bezerra e Messejana.

Terminal Antônio Bezerra




Já nas primeiras semanas após a inauguração dos dois primeiros terminais, Antônio Bezerra e Messejana, a questão da obrigatoriedade de passar nos terminais e a troca de ônibus demorada foram questões que começaram a ser discutidas. Por falta de uma outra opção de transporte, os usuários de ônibus foram obrigados a incorporar a prática de entrar nos terminais em seu cotidiano, ou seja, teriam que adaptá-los em seu dia-a-dia. Assim, os usuários precisaram reorganizar o seu tempo em função dessa passagem obrigatória, como, por exemplo, sair de casa um pouco mais cedo ou encontrar um trajeto de ônibus mais curto no sentido terminal-trabalho e vice-versa.

Terminal Messejana




Percebendo que os terminais estavam se constituindo como importantes componentes da cidade e que a população não os estavam percebendo de uma forma agradável, aos poucos novos serviços foram instalados nesses espaços, como uma forma de torná-los mais usuais à população. Assim, além das lanchonetes já existentes desde a inauguração dos terminais, surgiram os caixas eletrônicos, bancas de revistas, agências lotéricas, salão de beleza, lan house, farmácia popular, postos de atendimento em relação à compra de vales-transporte e lojas de variedades.
Assim, o terminal assume nova configuração em relação ao seu uso, não apenas do ponto de vista da problemática do transporte, pois alguns usuários utilizam o espaço interno dos terminais para outros fins. Por isso, importa saber como diferentes atores ocupam os espaços públicos, modificando-os e adaptando-os às suas necessidades específicas.




É comum presenciar nos terminais indivíduos utilizando caixas eletrônicos para saques e depósitos, serviços lotéricos, Internet e até mesmo cortando o cabelo. Para alguns usuários, isto pode ser visto como um consolo pelo fato de serem obrigados a passar pelos terminais; para outros, o fator econômico pode ser relevante, pois podem se dirigir aos terminais, utilizar algum serviço e retornar aos lares pagando-se uma única passagem. Outra forma de utilização dos terminais é o fato desses espaços estarem se constituindo como locais que proporcionam a convivência coletiva dos usuários.É comum presenciar nos terminais indivíduos utilizando caixas eletrônicos para saques e depósitos, serviços lotéricos, Internet e até mesmo cortando o cabelo. Para alguns usuários, isto pode ser visto como um consolo pelo fato de serem obrigados a passar pelos terminais; para outros, o fator econômico pode ser relevante, pois podem se dirigir aos terminais, utilizar algum serviço e retornar aos lares pagando-se uma única passagem. Outra forma de utilização dos terminais é o fato desses espaços estarem se constituindo como locais que proporcionam a convivência coletiva dos usuários.


Estudantes utilizam os espaços oferecidos pelos terminais como ponto de encontro, para depois se deslocarem juntos; nas filas, próximos a bairros residenciais, há o encontro de amigos e vizinhos, e, até mesmo, pessoas estranhas passam a dividir a mesma ansiedade quando o ônibus demora a chegar. Os terminais também são utilizados para ações culturais, como exposições de obras artísticas, sociais, como campanhas educativas e de saúde pública como postos de vacinação, entre outras funções atribuídas aos espaços pela Prefeitura Municipal.

Exposição e abordagem educativa sobre dengue para usuarios do terminal de Antonio Bezerra


Em verdade percebemos que os Terminais de Ônibus são espaços diferenciados onde ocorre e convive numa "pseudo harmonia" diferentes indivíduos, agentes, por assim dizer da reprodução espacial local (empresários, vendedores autônomos, artistas populares, motoristas, funcionários públicos, usuários de forma geral entre outros) em um multifacetado espaço, com diversas territorialidades distintas e variáveis.


Embora o transporte público em nossa capital ainda deixe muito a desejar aos filhos e filhas dessa cidade, é nos terminais que estas pessoas compartilham suas ansiedades, suas motivações, seus cotidianos e ritmos as vezes tão "repetitivos", no sentido mais factual de similaridade coletiva.

Fonte: 
José Walacy Lima Lopes

Nenhum comentário:

Tradutor