REDES:

_

Novos LD's da Satélite Norte são conferidos por busólogos cearenses Ceará Diesel enfatiza DD's da Marcopolo e Busscar em Happy Hour Neuri Tur convida busólogos para aproximação Sindiônibus convida MOB Ceará para conversa sincera sobre mobilidade urbana MOB Ceará visita as instalações da Ferrari JG - Marcopolo MOB confere novos micros e rodoviários da Princesa

quarta-feira, 6 de julho de 2011

População temerosa com greve de ônibus

A população amanheceu apreensiva com a possibilidade de nova greve dos ônibus que não se concretizou. A categoria espera a realização de uma assembleia geral para definir
Usuários que dependem do transporte coletivo para se locomover estão apreensivos, com a possibilidade de greve dos trabalhadores do setor. Motoristas, cobradores e fiscais já estão na sexta rodada de negociação com os empresários, contudo, ainda não chegaram ao consenso esperado. Das 45 cláusulas que estão sendo discutidas, 33 já foram acertadas. Porém, os 12 pontos que continuam pendentes tratam de reivindicações consideradas primordiais pela categoria.

Algumas delas dizem respeito a: reajuste salarial de 23%, participação nos lucros e resultados, plano de saúde, incrementos na cesta básica e redução da jornada de trabalho. Em contrapartida, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (Sindiônibus) oferece reajuste de 6,3%. Para Domingos Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), o valor corresponde a inflação, sem ganhos reais.

Outro impasse diz respeito a participação nos lucros e resultados. A categoria almeja que seja de um salário base, enquanto os empresários oferecem 25% do valor do salário. O vale refeição também está na pauta de reivindicações. Os trabalhadores reivindicam vale no valor de R$ 8,50. Com relação a redução da jornada de trabalho, Domingos Neto esclarece que a queixa surgiu por que os motoristas são obrigados a ficar parados com os ônibus nos terminais cerca de 2 horas. Solicitam ainda horas extras que não são computadas no contra cheque.

Uma nova rodada de negociação será realizada nesta sexta-feira, 8, às 8h30, na Superintendência Regional do Trabalho. Até lá, Domingos Neto avisa que não terá paralisação dos ônibus. A definição pela greve só será tomada na Assembleia Geral da categoria, ainda sem data definida. Na ocasião, a própria categoria é quem decidirá se aceita o que foi proposto pelos empresários durante as negociações.

"Estamos evitando ao máximo deflagrar greve, mas caso isso venha a ocorrer pedimos o apoio da população", diz Domingos Neto. O presidente do Sintro informa que durante toda esta semana o Sindicato estará realizando visitas a todos os terminais de Fortaleza, conversando com a população.

A estratégia é ter os usuários como aliados. Para isso, o Sintro preparou uma Carta Aberta, na qual explicam que não são só os trabalhadores que convivem com transtornos diários nos transportes coletivos, mas os usuários também.

"Defendemos um transporte público de qualidade, por isso queremos uma parceria com os usuários, vamos ouvi-los para que juntos possamos cobrar um transporte com melhores condições", dispara Domingos Neto. Ao todo, 30 mil Cartas Abertas serão distribuídas.

Diariamente, um milhão de usuários utilizam os ônibus como meio de transporte em Fortaleza, segundo dados da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor). Acrescidos dos transportes complementares, como as vans, esse número chega a ser de um milhão e 300 mil usuários por dia na Capital.

Desde que motoristas, cobradores e fiscais deflagraram o estado de greve - iminência de paralisação da categoria - no último sábado, que a população está aflita. Joselândia Rodrigues de Sousa, 32, que trabalha como recepcionista, levou dinheiro a mais ontem para ter uma segunda opção caso realmente ocorresse uma greve de ônibus.

"Saí de casa apreensiva, porque quando tem greve, o trânsito para. Estando prevenida eu tenho a opção de pegar um moto táxi". A recepcionista chegou ontem, cedo, no terminal do Siqueira. Com medo de ficar sem ter como se locomover acordou, inclusive, mais cedo.

A decoradora Lúcia Freitas, 52, mora no Conjunto Ceará e trabalha no Parque São José. Para chegar ao trabalho pega três ônibus. Preocupada, diz que se tiver greve não terá como chegar na empresa. Ainda assim defende a categoria e fala que ela tem direito de reivindicar.


Contrários
Mas, nem todo mundo pensa parecido. No Terminal da Parangaba, o motorista Raimundo Canuto, 40, disse que é contra a greve. "Eu dependo do transporte para ir ao trabalho e para tudo. Quando os ônibus estão em greve fica aquele transtorno, a gente chega atrasado, atrapalha demais. Tomara que não tenha", afirmou.

A estudante Rayane Cordeiro, 18, admite que está com medo da greve, pois como usa ônibus todos os dias disse que vai atrapalhar muito. A estudante acrescenta que os motoristas têm direito de reivindicar, mas não da forma como eles fazem.

Ouvindo a conversa, o escrituário José Cordeiro Filho, 53, complementa que os motoristas não devem parar de trabalhar, mas sim liberar as catracas para que todos passem de graça, o que afetaria o bolso dos empresários e não deixaria a população na mão.

ANTÔNIO BEZERRA
Motoristas iniciam mobilização no terminal
Cinco dias após ter sido decretado estado de greve dos motoristas de ônibus da Capital, membros do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Ceará (Sintro-CE) visitaram, na manhã de ontem, o terminal do Antônio Bezerra, onde colaram nos veículos adesivos alertando para a campanha salarial da categoria.

Por meio de sua assessoria de comunicação, o Sindiônibus disse esperar que não haja paralisações nos dias que antecedem a reunião entre os empresários e os trabalhadores na próxima sexta-feira. Entre os usuários, prevalece a apreensão. Mesmo entre aqueles que não utilizam diariamente o serviço, existe receio quanto à greve. "Não uso ônibus todos os dias, mas meus filhos, que trabalham, todo dia tem que pegar. Se tiver mesmo alguma greve, o transtorno vai ser grande", afirmou a dona de casa Lúcia Azevedo.

"Não era para isso acontecer. Ter uma greve, agora, dos motoristas é um atraso. Um atraso político, econômico, social, qualquer tipo de atraso", opinou a vendedora ambulante Graça Castro.

Apesar de utilizar ônibus todos os dias, Graça, que costuma sair de casa com o filho, de cinco anos, destacou que poderia ser bastante prejudicada com uma greve. "Na greve passada (em 2010), eu perdi uma consulta, por exemplo. O pior é que tenho que andar com meu filho. Aí, é mais difícil achar outra alternativa de transporte".


Movimento
Enquanto os usuários manifestavam apreensão com a possibilidade de greve, a movimentação, no terminal do Antônio Bezerra, não foi distinta daquela observada rotineiramente - filas extensas e longa espera pelos ônibus, o cenário, conforme os passageiros, é o comum naquele espaço.

Fonte: Luana Lima/ João Moura
Foto: Jospe Leomar

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário sobre nossas matérias, ou mande sugestões através do contato [email protected]
Ressaltamos que não nos responsabilizamos pelo conteúdo dos mesmos.